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Jun

 

 A história de um Estado que começa antes mesmo dele virar dois. Cada fotografia que surge nas redes sociais ou reportagens sobre hoje Mato Grosso do Sul, tem uma só assinatura: Roberto Higa. Dono de um arquivo único, dividido entre redações, historiadores e apaixonados pela narrativa dessa região, os negativos que revelam em detalhes o que foi a nossa trajetória estão se perdendo. Parte deles, já foi.

Fotógrafo, mestre, fotojornalista e mesmo com todos os títulos que Roberto Higa merece e exerce, ele teve a negativa do terceiro edital submetido ao FIC (Fundo de Investimentos Culturais), uma possível saída para digitalizar pelo menos o início de 48 anos de carreira. "Aqui sempre saiu tudo dos meus custos. Nunca recebi patrocínio do Estado ou Prefeitura. Alguém deveria dar importância a esse tipo de coisa", questiona Higa, hoje com 64 anos. Na sala onde estão os negativos que já se foram, os armários mantém a sete chaves, 48 anos de fotografia. "De 1968 a 2016. Isso é a história de um Estado, da cidade", reforça.

No balcão onde foi improvisado, na gambiarra uma forma de escanear as fotos, estão os negativos todos enrolados. Neles, o que restou foram lembranças dos registros do Projeto Pixinguinha, que circulou pelo País e veio a Campo Grande no final dos anos 70 e início de 80 trazendo os maiores nomes da nossa música. "Trouxe Sivuca, Amelinha, Gonzaguinha, Gonzagão, Elba Ramalho... Não é de hoje que eu venho pedindo ajuda, olha como fica o negativo com o passar do tempo?", mostra. O fotógrafo explica que o acetato do material perde a flexibilidade e ele acaba ficando todo enrolado. O conhecimento de Higa está na fotografia e nem tanto no armazenamento dela. "Eu não tenho conhecimento técnico disso. O que eu aprendi foi fotografar e aqui no Estado é tudo assim, Davi Cardoso tem uma sala, mas o que tem lá? Quais as condições? E o que ficou da Conceição dos Bugres?" Perguntas para as quais não se tem resposta.

No edital feito pela terceira vez, Higa apresentou a proposta de ter uma orientação profissional para salvar e digitalizar os arquivos dos negativos de 1968 até o final da década de 70. Aleatoriamente, abrindo gavetas, o que se encontra vão desde inauguração de posto de saúde, às mulheres mais belas do passado e até a primeira turma de Medicina do Estado levando trote. O projeto submetido no edital do fundo previa R$ 60 mil para contratação de mão de obra que restaurasse e fizesse a digitalização. "Quando todo mundo precisa, bate aqui", puxa a orelha. Por mais que ele tente armazenar adequadamente, em plásticos e envelopes, os materiais vão se decompondo com os anos.

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